Open banking: sucesso passa por plataformas de integração

Por Diogo Lupinari * 

Como quase tudo o que ocorre no Brasil, houve intenso debate público, discussão política, adiamentos e, nesse caso, até mesmo uma pandemia provocada pela covid-19. Entretanto, nem mesmo a segunda onda da doença no início de 2021 deve impedir a implementação do open banking no país. Marcado inicialmente para 30 de novembro de 2020, a nova data prevista para entrar em vigor é no dia 1º de fevereiro de 2021. Trata-se, portanto, de um caminho sem volta – e o principal meio de transporte das empresas nessa jornada refere-se às plataformas de integração. Somente elas são capazes de garantir o sucesso de uma estratégia de compartilhamento de informações.  

Expressão que ganhou força entre as instituições financeiras com o avanço das fintechsopen banking pode ser encarado como o compartilhamento de dados dos clientes entre as empresas do setor (sempre com anuência do usuário, evidentemente). A ideia é garantir maior competitividade entre as empresas e, claro, serviços personalizados de acordo com as demandas e os desejos dessas pessoas. Mesmo assim, seis em cada dez brasileiros (61%) não conhecem e/ou nunca ouviram falar dessa proposta, segundo pesquisa do Ibope encomendada pelo C6 Bank. 

Essa discrepância exemplifica os desafios que o conceito ainda tem no país. Enquanto de um lado as instituições financeiras, principalmente as fintechs, buscam desenvolver soluções para darem conta dessa novidade, a sociedade na outra ponta segue perdida sobre o que fazer. Isso ocorre, em parte, pelo tradicional isolamento que o mercado financeiro sempre demonstrou quanto às soluções tecnológicas. Por anos, as instituições mais tradicionais adotaram uma postura reticente com ferramentas de TI – afinal, qualquer falha poderia causar um prejuízo gigantesco no Sistema Financeiro Nacional. Assim, não são poucos os usuários que ainda evitam canais digitais, como apps no celular.  

Mas o mundo mudou, e a transformação digital não é mais opção. A evolução das fintechs demonstrou que finanças e tecnologia podem, sim, caminhar lado a lado, e o Banco Central passou a adotar medidas que favoreceram a inovação e a adoção de novas soluções e plataformas. O open banking surge nesse novo contexto, impulsionado por experiências bem-sucedidas no exterior e por uma necessidade cada vez maior de entregar produtos e serviços personalizados aos consumidores – o que invariavelmente passa pela necessidade de compartilhamento de dados pessoais entre pessoas e empresas.  

Por conta disso, o sucesso do open banking no Brasil não depende apenas do investimento da empresa em tecnologia e da anuência dos usuários. É preciso garantir um fluxo que permita o tráfego seguro, veloz e transparente dos dados entre as instituições. Algo que só é possível com a adoção de plataformas de integração capazes de conectar os diferentes sistemas utilizados para esse fim. Caso contrário, corre-se o risco de os dados ficarem parados em diferentes ferramentas, dependentes de uma ação humana para chegarem à outra ponta – com possível perda de qualidade nesse processo. Na proposta de “banco aberto”, as APIs (interfaces de programação de aplicações) exercem papel preponderante na estratégia – e elas, por sua vez, exigem plataformas de integração para deixarem o “caminho livre” na hora de trafegar as informações.  

Portanto, o open banking exige uma preparação não apenas dos consumidores, mas das próprias instituições financeiras. Mais do que concorrentes, elas devem se enxergar como parceiras, adotando soluções tecnológicas que realmente atendam aos interesses da população. A ponte para esse caminho passa pelas plataformas de integração. Somente com elas o conceito conseguirá sair da teoria e finalmente será posto em prática no mercado brasileiro.  

*DiogoLupinarié CEO ecofundadordaWevo,empresa especializada em integração de sistemas e dados

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